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<< Voltar 06/02/2019
Crescimento do Setor

Depois de acumular queda de quase 30% em cinco anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção terá crescimento de 2% em 2019, conforme estimativa do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A projeção considera expansão para o PIB do país de 2,5% neste ano. "As expectativas são positivas para o Brasil e para o setor de modo geral", disse o presidente do Sinduscon-SP, Odair Senra. Autoconstrução e edificações devem puxar a retomada.

Havia expectativa positiva de que já haveria uma reversão desse quadro de queda em 2018, mas ocorreu retração de 2,3%, apesar da melhora dos indicadores de lançamentos, vendas, distratos e crédito imobiliário. Segundo a coordenadora de Projetos da Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), Ana Maria Castelo, os segmentos de infraestrutura e serviços especializados responderam pela maior parte da queda registrada, enquanto o imobiliário ficou "mais próximo da estabilidade".

Segundo a economista da FGV, o crescimento das vendas, ocorrido em 2018, deve se traduzir em mais obras neste ano. A expansão projetada para o segmento de empresas - mercado imobiliário, infraestrutura e serviços especializados - é de 1%, e para autoconstrução e pequenos empreiteiros não formalizados, de 3,5%.

A melhora da atividade formal deve se refletir em aumento do emprego com carteira assinada, de acordo com Ana Castelo. Há expectativa que a alta mais significativa ocorra no segmento de edificações. "O mercado imobiliário continuará a comandar a atividade. A retomada das obras de infraestrutura, se confirmada, deverá ter efeito na atividade mais para frente", afirmou.

Ana Castelo se refere a 2018 como um ano de "despiora" para o setor e diz que a melhora esperada para 2019 depende da "capacidade de o governo sinalizar encaminhamento para a questão fiscal". Na avaliação do presidente do Sinduscon-SP, as indicações do novo governo quanto à economia são positivas. "Falta muito por acontecer, a Câmara começou a funcionar agora, mas o viés parece ser positivo para uma economia liberal, que sempre vai a favor de quem trabalha melhor", disse Senra.

Ele ressaltou que as reformas são "muito importantes para continuidade da geração de emprego e renda". "Renda e emprego são combustíveis para a aquisição da casa própria", afirmou o presidente do Sinduscon-SP.

Há incertezas em relação ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, segundo Ana Castelo, relacionadas ao fim do ministério das Cidades. "Não se sabe, efetivamente, como será a continuidade do programa", disse. Questões relacionadas a possíveis outros usos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) também podem afetar a sustentabilidade do programa.

Para o vice-presidente de economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, a sociedade brasileira precisa encontrar outros meios para enfrentar o déficit habitacional além do programa Minha Casa, Minha Vida. Além do déficit atual, há crescimento da demanda por moradias todos os anos em função da formação de novas famílias. "É difícil resolver a questão em um estado com um problema fiscal como o nosso", disse Zaidan.

Segundo o presidente do Sinduscon-SP, a faixa 1 do programa habitacional - a mais dependente de subsídios - é muito importante, mas "vai hibernar" no atual cenário de déficit fiscal. Na avaliação de Zaidan, o problema fiscal brasileiro não será resolvido antes de uma década. "Não sou pessimista, sou realista. Já temos uma carga tributária insustentável", disse.


Fonte: Valor Econômico - Impresso
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